Etanol brasileiro pode abastecer navios e alcançar 20 bilhões de litros até 2030

O etanol brasileiro pode conquistar um novo mercado no transporte marítimo internacional, com potencial de consumo estimado entre 15 bilhões e 20 bilhões de litros até 2030. A projeção considera a conversão gradual de navios preparados para operar com metanol.

Os dados foram apresentados por Flavio Mamuilov, especialista em regulação ambiental da Organização Marítima Internacional (IMO), durante a Conferência Novacana. Segundo a estimativa do setor, uma carteira de encomendas com 336 navios adaptados para metanol poderá utilizar combustível produzido a partir de cana-de-açúcar e milho.

Adaptações permitem uso do etanol

A utilização do etanol não exigiria a troca dos motores bicombustíveis projetados para metanol. Ajustes nos softwares de controle e nos sistemas de injeção seriam suficientes para viabilizar a mudança de combustível.

Testes já foram realizados na navegação comercial. A armadora Maersk conduziu uma operação experimental com o navio Laura Maersk utilizando 100% de etanol. No Brasil, o Porto de Santos registrou, em 2024, a primeira operação de abastecimento marítimo com etanol, acompanhada pelo Ministério dos Portos e Aeroportos.

Certificação da pegada de carbono

Para garantir o fornecimento aos armadores internacionais, o setor sucroenergético busca consolidar a avaliação do ciclo de vida do etanol. A IMO utiliza o conceito well-to-wake, que contabiliza as emissões desde a produção agrícola até a queima do combustível nos motores.

As regras para certificação da pegada de carbono do etanol brasileiro devem avançar na IMO até 2026. A regulamentação está relacionada às metas da navegação comercial, que preveem redução de 40% nas emissões até 2030 e neutralidade de carbono até 2050.

Links e documentos citados

Fonte: andravirtual.com.br