Economia circular na produção de tilápia transforma resíduos em insumos

A economia circular na produção de tilápia permite que partes do peixe além do filé sejam destinadas a diferentes mercados. Na Fider Pescados, instalada em Rifaina (SP), pele, escamas, farinha e óleo são aproveitados na fabricação de cosméticos, rações, produtos para animais e biodiesel.

Segundo a empresa, o filé representa cerca de 30% da massa corporal da tilápia. Os outros 70% seguem para coprodutos. A pele e as escamas são exportadas para o mercado asiático, onde servem como matéria-prima para a extração de colágeno utilizado em cosméticos e produtos de cuidados pessoais.

Pele e escamas abastecem mercado de colágeno

PAUTA | Economia Circular na produção de TILÁPIA

A pele corresponde a cerca de 5% da tilápia processada e é congelada, organizada em blocos e exportada. As escamas, que representam aproximadamente 2% do total, passam por lavagem e secagem antes da comercialização.

A Fider informa que destina aproximadamente 60 toneladas mensais de pele e 10 toneladas de escamas secas ao mercado asiático, incluindo países como Japão e Indonésia. Os materiais são usados na extração de colágeno.

O diretor da Fider, Juliano Kubitza, afirmou que o aproveitamento desses materiais amplia a rentabilidade da produção e fornece à indústria insumos de origem comprovada.

PAUTA | Economia Circular na produção de TILÁPIA

Farinha e óleo são produzidos em Rifaina

Depois da retirada do filé, da pele e das escamas, cerca de 60% da tilápia processada é encaminhada para a fábrica de farinha e óleo da empresa, localizada ao lado da unidade de processamento. A produção média informada é de 120 toneladas mensais de farinha e 120 toneladas de óleo de peixe.

A farinha é utilizada na formulação de rações, especialmente para a indústria pet, e as exportações representam praticamente a totalidade das vendas, conforme a empresa. O óleo atende os segmentos de nutrição animal e de biodiesel.

PAUTA | Economia Circular na produção de TILÁPIA

De acordo com a Fider, o processamento dos coprodutos ocorre imediatamente após o abate, com o objetivo de preservar o frescor da matéria-prima e reduzir a oxidação. A farinha premium apresenta cerca de 65% de proteína bruta, enquanto o óleo registra acidez inferior a 1%.

Para Samuel Carvalho, coordenador de produção da Fider Pescados, o uso integral do peixe reduz desperdícios e cria produtos destinados a diferentes cadeias comerciais.