Na última quarta-feira, o Fundo Monetário Internacional (FMI) fez um apelo aos Estados Unidos para que adotem medidas significativas de consolidação fiscal, como forma de enfrentar o crescente déficit em conta corrente. Essa recomendação surge em um contexto em que a instituição considera os níveis atuais de déficit, tanto em contas correntes quanto comerciais, excessivos. A diretora-geral do FMI, Kristalina Georgieva, destacou que esta preocupação é compartilhada pelo governo Trump.
Análise dos Déficits Fiscais e Comerciais
Georgieva, em declarações feitas após a revisão anual das políticas econômicas dos EUA pelo FMI, enfatizou que o déficit em conta corrente é significativamente elevado. Segundo ela, essa situação é reconhecida pelo governo, o que implica em uma necessidade urgente de ações corretivas. O FMI estima que o déficit em conta corrente dos EUA está entre 3,5% e 4,0% do PIB em um horizonte de curto prazo.
Impacto das Tarifas e Medidas Comerciais
Após uma decisão da Suprema Corte dos EUA que considerou ilegais as tarifas de emergência impostas pelo presidente Donald Trump, o governo recorreu à Seção 122 da Lei de Comércio de 1974 para implementar novas taxas. O objetivo declarado é melhorar o balanço de pagamentos, mas especialistas, como Nigel Chalk, diretor do FMI para o Hemisfério Ocidental, argumentam que a verdadeira solução para o déficit em conta corrente reside na redução do déficit fiscal.
Projeções Econômicas e Riscos Associados
O FMI também fez projeções sobre o crescimento econômico dos EUA, indicando que a taxa deverá permanecer robusta, em torno de 2,4% até 2026. No entanto, a instituição prevê que a inflação não atingirá a meta de 2% estabelecida pelo Federal Reserve até o início de 2027, devido a incertezas persistentes sobre a trajetória da inflação e do crescimento econômico. Além disso, os déficits fiscais devem se manter entre 7% e 8% do PIB nos próximos anos, superando as metas do secretário do Tesouro, Scott Bessent.
Consequências da Dívida Pública Crescente
O FMI alertou que, embora o risco de tensões soberanas nos EUA seja atualmente baixo, a tendência ascendente da relação entre dívida pública e PIB, juntamente com o aumento da relação dívida de curto prazo e PIB, representa uma ameaça crescente à estabilidade econômica, tanto dos EUA quanto global. A previsão é de que a dívida pública consolidada atinja 140% do PIB até 2031, o que pode trazer implicações sérias para a economia.
Conclusão
Em suma, as recomendações do FMI para os Estados Unidos refletem uma preocupação com a sustentabilidade fiscal e a saúde econômica futura do país. A necessidade de medidas de consolidação fiscal é vista como essencial para a redução do déficit em conta corrente e a manutenção da estabilidade econômica. Com um cenário econômico desafiador à frente, a adoção de políticas fiscais rigorosas pode ser fundamental para mitigar riscos e promover um crescimento mais equilibrado.
Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br


