Consequências da Morte de ‘El Mencho’: Um Vácuo de Poder e Escalada da Violência no México

Consequências da Morte de ‘El Mencho’: Um Vácuo de Poder e Escalada da Violência no México

A recente morte de Nemesio ‘El Mencho’ Oseguera Cervantes, antigo líder do Cartel Jalisco Nova Geração, provocou um abalo significativo no cenário do narcotráfico mexicano. O impacto dessa perda se reflete em um vácuo de poder que pode levar a uma intensificação da violência no país, assemelhando-se a uma guerra civil, de acordo com a análise da doutora em Direito Internacional, Priscila Caneparo, em entrevista ao CNN Prime Time.

O Vácuo de Poder e suas Implicações

Caneparo explica que, sob a liderança de ‘El Mencho’, o cartel operava de forma altamente estruturada, com diversas ‘franquias’ que, embora possuíssem autonomia, mantinham uma ligação direta com a administração central do grupo. Com a sua morte, essas facções se encontram em um cenário onde buscam estabelecer sua própria influência, o que agrava as tensões entre elas e pode resultar em um aumento da violência.

Fatores Agravantes da Situação

Dois elementos principais contribuem para a deterioração da situação. O primeiro é o próprio vácuo de poder deixado por ‘El Mencho’, que atuava como um elemento de coesão entre as diferentes facções. O segundo fator é a crescente insatisfação dos cartéis em relação ao recente acordo de cooperação entre os governos do México e dos Estados Unidos, que visa combater o tráfico de drogas. Essa frustração pode levar a uma resistência ainda maior por parte dos grupos criminosos.

A Necessidade de Cooperação Internacional

Priscila Caneparo também enfatizou a importância da cooperação internacional no combate ao narcotráfico, ressaltando que a estrutura desse crime organizado na América Latina opera em uma rede complexa. Segundo ela, a colaboração com os Estados Unidos é fundamental para enfrentar essa questão, não por falta de esforços do governo mexicano, mas devido ao fenômeno de retroalimentação entre os cartéis e o mercado americano.

Retroalimentação do Tráfico

Essa retroalimentação se manifesta na forma como os cartéis mexicanos fornecem drogas para os Estados Unidos, enquanto as leis permissivas de venda de armas em alguns estados americanos alimentam o arsenal dos criminosos. Caneparo destaca que mais de 80% das armas disponíveis para os cartéis têm origem nos Estados Unidos, evidenciando a ligação crítica entre os dois lados da fronteira.

Reflexões sobre a Guerra às Drogas

A especialista adverte que a abordagem atual da guerra contra as drogas está fadada ao fracasso. A Comissão Interamericana de Direitos Humanos já indicou que a estratégia de combate direto não é suficiente. É necessário repensar políticas públicas que incluam não apenas a repressão, mas também iniciativas voltadas para a saúde pública e o desenvolvimento social, visando reduzir a dependência da população em relação ao narcotráfico.

Diante do cenário de incerteza e potencial escalada da violência, é crucial que as autoridades busquem soluções integradas que abordem as raízes do problema e promovam alternativas viáveis para a população afetada pelo narcotráfico.

Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br

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