Mato Grosso do Sul se destaca globalmente em policiamento restaurativo com curso inédito

Mato Grosso do Sul se destaca globalmente em policiamento restaurativo com curso inédito

A Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso do Sul (Sejusp-MS) finalizou recentemente o 1º Curso de Formação em Justiça e Policiamento Restaurativo, uma iniciativa inovadora que visa fomentar o diálogo entre as forças de segurança e as comunidades indígenas. O evento, realizado em março de 2026, posiciona o estado como um modelo a ser seguido em termos de segurança pública e integração cultural.

Objetivos e Estrutura do Curso

Com financiamento do Fundo Estadual de Segurança Pública (Fesp), o curso teve uma carga horária de 30 horas e capacitou 38 profissionais de segurança, incluindo policiais militares, civis, bombeiros e peritos criminais. Os participantes, oriundos de cinco municípios, foram selecionados por atuar em áreas de forte presença indígena, como Campo Grande e Dourados.

Depoimentos dos Participantes

A subtenente da Polícia Militar, Lusmária da Silva Oliveira, destacou a importância da formação para a aproximação com as comunidades indígenas. Ela enfatizou que a capacitação é fundamental para os profissionais que atuam nessas áreas, uma vez que a interação requer sensibilidade e compreensão das particularidades culturais.

Outro participante, o cabo Caio Cézar Barbosa Maidana, elogiou a experiência como uma oportunidade de aprendizado que transformou sua visão sobre justiça. Ele ressaltou a necessidade de construir relações de confiança e respeito, afirmando que a prática da justiça restaurativa já é comum entre os povos indígenas.

A Inclusão de Voce das Comunidades Indígenas

O curso também contou com a participação ativa de oito indígenas de várias aldeias, que atuaram como agentes metodológicos. Sua presença enriqueceu as discussões e facilitou uma melhor compreensão das realidades enfrentadas nas comunidades. Eles contribuíram significativamente para os debates e a construção de um entendimento mútuo com os profissionais de segurança.

Roseli Souza, uma das participantes indígenas, enfatizou a relevância do curso para a mediação de conflitos. Ela expressou a esperança de que essa iniciativa fortaleça a parceria com a polícia, que já desempenha um papel importante em suas comunidades.

Reações e Impacto nas Comunidades

O cacique Célio Francelino Fialho, da Aldeia Bananal, também comentou sobre a importância do curso, que se alinha às práticas de liderança já existentes nas comunidades indígenas. Ele destacou que a abordagem restaurativa é semelhante à que as lideranças indígenas utilizam, focando na resolução pacífica de conflitos em vez de punições severas.

Perspectivas Futuras

O curso foi ministrado por especialistas renomados na área de Justiça Restaurativa, incluindo o pesquisador canadense Dr. Nicholas Jones, que compartilhou suas experiências internacionais. Ele ressaltou a importância do apoio institucional para o desenvolvimento de políticas eficazes que promovam a harmonia entre as comunidades e as forças de segurança.

A implementação de iniciativas como essa pode resultar em uma governança mais eficaz, valorização dos direitos humanos e um fortalecimento das relações sociais, beneficiando tanto as comunidades indígenas quanto os profissionais de segurança pública.

Fonte: https://jornaldiadia.com.br

Mato Grosso do Sul se destaca globalmente em policiamento restaurativo com curso inédito