Revisão Judicial em Caso de Estupro de Vulnerável em Minas Gerais

Revisão Judicial em Caso de Estupro de Vulnerável em Minas Gerais

Recentemente, um caso de estupro de vulnerável em Minas Gerais ganhou destaque após uma reviravolta nas decisões judiciais. O desembargador Magid Nauef Láuar, membro da 9ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), alterou sua posição em relação ao julgamento de um homem de 35 anos e da mãe de uma menina de 12 anos, inicialmente absolvidos. A nova decisão resultou na prisão dos réus e gerou um intenso debate sobre a aplicação da lei e a proteção de menores.

Mudança de Posição do Desembargador

A reavaliação do desembargador ocorreu após a interposição de um recurso pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), além de forte pressão de organizações internacionais, como a ONU e o Unicef. Inicialmente, Láuar havia argumentado que existia um “vínculo afetivo consensual” entre o réu e a criança, o que levou à sua absolvição. Contudo, ao reconsiderar sua decisão, ele reconheceu a gravidade do erro em seu julgamento.

Justificativa para a Revisão

Durante a nova análise, o desembargador citou o filósofo David Miller, enfatizando a necessidade de considerar a perspectiva de gênero e as realidades sociais ao decidir sobre casos de abuso. Ele ressaltou que a diferença de idade entre o réu e a vítima, com o homem sendo três vezes mais velho, demonstrava a incapacidade da menina de consentir ou compreender a situação. Essa reflexão levou à conclusão de que a absolvição inicial não levava em conta a vulnerabilidade da criança.

Aspectos Legais Envolvidos

No julgamento inicial, o desembargador utilizou a técnica jurídica conhecida como ‘distinguishing’ para justificar sua decisão de absolvição, alegando que não havia violência ou coação, e que o relacionamento era percebido como um “casamento” aceito pelos pais da menina. Contudo, a desembargadora Kárin Emmerich, que participou do julgamento, já havia expressado sua oposição à absolvição, argumentando que a vulnerabilidade de menores é absoluta e que a lei deve ser rigorosamente aplicada.

Consequências e Ações Futuras

Após a acolhida dos embargos de declaração por parte do MPMG, os mandados de prisão foram expedidos e cumpridos em 25 de outubro. Embora o desembargador tenha revisado sua decisão, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) informou que os procedimentos disciplinares contra os magistrados que participaram da absolvição continuam em andamento, e as autoridades judiciais ainda estão aguardando os esclarecimentos necessários.

Reflexões sobre a Proteção de Menores

Este caso levantou questões importantes sobre a proteção de crianças e adolescentes no Brasil. A reviravolta nas decisões judiciais evidencia a necessidade de um olhar mais atento às questões de gênero e à vulnerabilidade das vítimas em situações de abuso. Organizações e especialistas ressaltam a importância de garantir que a justiça seja feita de maneira a proteger efetivamente os direitos dos menores, evitando que casos semelhantes se repitam no futuro.

Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br

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