A pobreza afeta o desenvolvimento motor de bebês, já aos seis meses de idade. Essa é a conclusão de um estudo inédito no Brasil, que analisou a relação entre vulnerabilidade socioeconômica e o desenvolvimento motor em lactentes. O estudo, conduzido por pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), incluiu 88 bebês, sendo 50 em situação de vulnerabilidade.
Resultados do Estudo
Os resultados do estudo foram publicados na revista Acta Psychologica e indicam que os bebês expostos à pobreza alcançam marcos motores mais tarde do que aqueles que não estão em situação vulnerável. Além de atrasos, esses lactentes demonstram menor diversidade de movimentos, repetindo a mesma estratégia para pegar um brinquedo, por exemplo.
Impactos a Longo Prazo
Segundo a professora Eloisa Tudella, orientadora da pesquisa, esses atrasos sutis podem ter repercussões no desenvolvimento global das crianças. Embora o foco do estudo não tenha sido diretamente relacionado a isso, há evidências de que atrasos motores leves no primeiro ano de vida podem se associar a problemas comportamentais na idade escolar, como TDAH e transtornos da coordenação.
Oportunidades de Reversão
Uma boa notícia do estudo é que os atrasos no desenvolvimento motor podem ser revertidos. Aos oito meses, as diferenças já não eram significativas. Isso se deve, em parte, ao envolvimento das mães, que passaram a aplicar em casa as orientações recebidas durante as visitas das pesquisadoras.
Práticas de Estímulo
As orientações incluíam práticas simples, como o “tummy time”, período em que o bebê fica de bruços. Essas atividades ajudam a fortalecer a musculatura necessária para que o bebê possa rolar, sentar, engatinhar e ficar em pé. Muitas mães estavam ansiosas para aprender a estimular seus filhos, o que gerou um ambiente mais propício ao desenvolvimento.
Instrumento de Avaliação
O estudo utilizou pela primeira vez no Brasil o Infant Motor Profile (IMP), que analisa não apenas se o bebê atinge marcos motores, mas também a qualidade dos movimentos. Isso permite identificar precocemente riscos neuromotores e planejar intervenções mais eficazes. Outra vantagem do IMP é reduzir a necessidade de avaliações complexas e custosas.
Fatores de Risco
Durante as 334 avaliações do estudo, identificou-se que o sexo masculino é um fator de risco, com meninos apresentando uma probabilidade 2,57 vezes maior de desenvolvimento motor atípico. Além disso, a presença de muitos adultos no mesmo domicílio foi associada a piores resultados, possivelmente devido a um ambiente caótico e menos estimulante.
Conclusão
Esses achados ressaltam a importância de intervenções precoces e do suporte às mães para promover um ambiente mais saudável e estimulante para o desenvolvimento motor dos bebês. O apoio familiar é crucial para mitigar os efeitos da pobreza sobre o desenvolvimento infantil.
FAQ
1. Como a pobreza afeta o desenvolvimento motor? A pobreza pode levar a atrasos no desenvolvimento motor dos bebês, resultando em marcos motores alcançados mais tarde e menor diversidade de movimentos.
2. O que pode ser feito para ajudar os bebês? A interação e estímulos adequados por parte das mães, como o “tummy time”, podem ajudar a reverter atrasos no desenvolvimento motor.
3. Quais são os riscos associados ao desenvolvimento motor atípico? Atrasos motores podem estar associados a problemas comportamentais na idade escolar, como TDAH e dificuldades de coordenação.
4. O que é o Infant Motor Profile? É um instrumento que avalia a qualidade dos movimentos dos bebês, permitindo identificar riscos neuromotores e planejar intervenções.
5. Quais fatores aumentam o risco de atrasos motores? O sexo masculino e um ambiente familiar caótico são considerados fatores de risco para o desenvolvimento motor atípico.
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Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br