Um relatório independente revelou que mais de 900 disparos foram feitos contra uma caravana de veículos de emergência claramente identificados em Rafah, Gaza, durante um ataque no dia 18 de março de 2025. O ataque resultou na morte de 15 trabalhadores humanitários palestinos, alguns dos quais foram alvejados a curta distância.
Detalhes do Ataque em Tal as-Sultan
A investigação, conduzida pela agência de pesquisa Forensic Architecture e pelo grupo de investigação auditiva Earshot, detalhou que os profissionais de saúde, incluindo membros da Sociedade do Crescente Vermelho da Palestina e da Defesa Civil, estavam em cinco ambulâncias e um caminhão de bombeiros, todos com luzes de emergência ativadas. Eles se dirigiam ao local do ataque para socorrer civis feridos quando foram alvejados.
Métodos de Investigação e Evidências
Os pesquisadores utilizaram gravações de áudio, imagens de satélite, filmagens e depoimentos de testemunhas para reconstruir os eventos. Durante a análise, foi identificado que pelo menos 910 disparos ocorreram, com 844 balas disparadas em um intervalo de cinco minutos e meio. O relatório indica que pelo menos cinco atiradores estavam ativos simultaneamente, com testemunhas sugerindo a presença de até trinta soldados na área.
Destinos dos Vítimas e Sobreviventes
Após o ataque, as forças israelenses destruiu os veículos com máquinas pesadas, tentando enterrar as vítimas junto com os veículos. Os profissionais de saúde, todos usando uniformes ou coletes identificativos, foram posteriormente recuperados de uma vala comum próxima. Entre os sobreviventes, um foi sequestrado e mantido sem acusação por 37 dias em uma instalação de detenção israelense, enquanto o outro foi usado como uma ferramenta humana em um posto de controle militar.
Reações e Consequências
As Forças de Defesa de Israel (IDF) alegaram que a área era uma zona de combate ativo e que os soldados acreditavam estar enfrentando riscos de segurança. Posteriormente, afirmaram que um dos veículos poderia estar ligado ao Hamas, uma alegação contestada pelos sobreviventes e organizações humanitárias. Uma investigação interna israelense realizada em abril de 2025 admitiu “falhas profissionais”, mas rejeitou acusações de assassinatos deliberados, recomendando a não ação criminal contra os soldados envolvidos.
Contexto do Conflito
Desde o início da campanha militar israelense em outubro de 2023, em resposta a uma incursão do Hamas que deixou pelo menos 1.200 mortos e 250 sequestrados em Israel, centenas de profissionais de saúde e de emergência foram mortos ou feridos. De acordo com o Ministério da Saúde da Palestina, mais de 72.000 pessoas perderam a vida desde o início do conflito.
Conclusão
O ataque em Tal as-Sultan e suas repercussões levantam sérias questões sobre a proteção de trabalhadores humanitários em zonas de conflito. Com a condenação expressa por parte das Nações Unidas, da Cruz Vermelha e de várias organizações de direitos humanos, a necessidade de uma investigação imparcial e a responsabilização dos responsáveis se tornam cada vez mais urgentes.
Fonte: https://www.rt.com


