Recentemente, o banco Inter revisou suas previsões para o dólar e a inflação em 2026, sinalizando uma visão mais otimista, mas ainda cautelosa devido à instabilidade fiscal. Em uma entrevista à CNN Money, a economista-chefe Rafaela Vitória abordou as nuances desse cenário, enfatizando que, embora as condições atuais do câmbio e da inflação sejam favoráveis a curto prazo, as contas públicas permanecem uma fonte de preocupação.
Incertezas Fiscais e suas Implicações
Rafaela Vitória destacou que a incerteza em torno da solução fiscal, que muitos analistas acreditam que será resolvida em 2027, está influenciando as expectativas de mercado. Ela afirma que a continuidade da redução da inflação está diretamente ligada a uma reforma fiscal que seja duradoura e confiável. Sem um ajuste fiscal efetivo, o Brasil poderá enfrentar uma nova alta da inflação, especialmente em setores como serviços, que não são tão impactados pela valorização da moeda.
Cenário Externo e suas Influências
O relatório do Inter também indica que a previsão para o dólar foi ajustada de R$ 5,50 para R$ 5,40. Essa valorização do real está contribuindo para uma expectativa de inflação mais baixa, com o IPCA projetado para encerrar o ano em 3,8%. Vitória observa que a tendência global de um dólar mais fraco tem efeitos positivos sobre a economia brasileira, refletindo-se em índices como o IGP-M, que apresentou uma queda de 0,7% em sua última medição.
Possibilidade de Corte na Selic
O banco Inter também sugere que há espaço para uma redução de até três pontos percentuais na taxa Selic em 2026, com a expectativa de que a taxa atual de 15% diminua para 12% até o final deste ano. No entanto, Vitória ressalta que qualquer nova redução em 2027 dependerá de políticas fiscais que limitem o crescimento dos gastos públicos. Ela aponta que, mesmo com a Selic a 12%, a taxa ainda é considerada elevada e não resolve a trajetória da dívida pública, que deve atingir 83% do PIB em 2026.
Impacto na Dívida Pública
Uma diminuição na taxa de juros poderia beneficiar a situação do endividamento do Brasil, visto que cerca de 50% da dívida pública está atrelada à Selic. Vitória enfatiza a importância de garantir credibilidade nas regras fiscais futuras para permitir cortes mais significativos na taxa de juros, o que poderia ajudar a estabilizar a trajetória da dívida pública.
Considerações Finais
Em suma, as perspectivas para a economia brasileira em 2026 são influenciadas por um cenário externo mais favorável, mas ainda envolto em incertezas fiscais. A necessidade de um ajuste fiscal sólido é crucial para garantir a sustentabilidade da inflação e permitir cortes na Selic que ajudem a controlar a dívida pública. A análise de Rafaela Vitória fornece uma visão compreensiva das complexidades que o Brasil enfrenta em sua trajetória econômica.
Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br


