O estado de Minas Gerais enfrenta uma crise sem precedentes devido ao atual período de chuvas, que começou em 1º de outubro de 2025 e deve se estender até o final de março. Dados da Defesa Civil revelam que este é o período mais mortal das últimas duas décadas, exacerbado por chuvas intensas que afetaram principalmente a Zona da Mata, com destaque para as cidades de Juiz de Fora e Ubá.
Impactos Humanitários e Destruição
As consequências dos temporais já resultaram em mais de 60 mortes nessas duas cidades até a tarde de sexta-feira, 27. Além disso, quatro pessoas permanecem desaparecidas entre os escombros e centenas de famílias foram forçadas a deixar suas casas, tornando-se desabrigadas ou desalojadas. Os deslizamentos de terra, enchentes e colapsos de estruturas são alguns dos eventos catastróficos que marcam este período.
Estatísticas Alarmantes de Fatalidades
O número total de mortes causadas pelas chuvas desde outubro já alcançou 81, superando as 74 mortes registradas durante o período chuvoso de 2019-2020. Naquele ano, os eventos extremos ocorreram de maneira mais dispersa por todo o território mineiro, enquanto agora a tragédia está concentrada em áreas específicas.
Desafios na Gestão de Recursos
O governo de Minas Gerais, sob a administração de Romeu Zema, tem enfrentado críticas por sua redução drástica nos investimentos destinados ao combate e resposta aos danos causados pelas chuvas. Dados recentes mostram uma diminuição de 95% nos gastos, passando de mais de R$ 134 milhões em 2023 para cerca de R$ 5,8 milhões em 2025. As autoridades argumentam que esses números não refletem os investimentos em infraestrutura, como a construção de piscinões na Região Metropolitana de Belo Horizonte.
Situação Crítica em Juiz de Fora
Em Juiz de Fora, aproximadamente 25% da população reside em áreas de risco. Um levantamento do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) classificou a cidade como tendo a nona maior população em risco no Brasil. Recentemente, a Defesa Civil alertou 800 famílias sobre a necessidade de evacuação de suas residências em áreas propensas a deslizamentos.
Respostas da Administração Municipal
A prefeitura de Juiz de Fora justificou o uso limitado de recursos, afirmando que as obras financiadas por programas federais seguem um rigoroso processo técnico. Desde 2023, cerca de R$ 22,1 milhões foram investidos em intervenções em áreas de risco, embora apenas 16,5% dos recursos destinados a obras de contenção de encostas tenham sido utilizados até o momento.
Conclusão
O atual período de chuvas em Minas Gerais não apenas revela a vulnerabilidade das comunidades locais, mas também destaca a necessidade urgente de uma gestão mais eficaz dos recursos e um planejamento estratégico para enfrentar desastres naturais. A tragédia em curso serve como um chamado à ação para que as autoridades revisem suas abordagens e priorizem a segurança da população em áreas de risco.
Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br


