A Enel Distribuição São Paulo reagiu à Nota Técnica nº 9/2026 emitida pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que criticou a atuação da empresa durante um apagão ocorrido em 10 de dezembro de 2025. O evento climático extremo deixou aproximadamente 4,2 milhões de imóveis na região metropolitana de São Paulo sem energia elétrica, levando a Aneel a classificar a resposta da distribuidora como ‘insatisfatória’.
Reação da Enel e Contestações
Em um documento formal enviado à Aneel, o qual foi acessado pela CNN, a Enel questionou as conclusões da nota técnica e pediu o arquivamento do processo administrativo que poderia levar a consequências severas, como a caducidade da concessão. A fiscalização da agência apontou falhas operacionais que comprometeram o restabelecimento da energia, incluindo a baixa produtividade das equipes, a falta de experiência em emergências e a insuficiência de veículos adequados para atendimento rápido.
Defesa da Enel
A Enel argumentou que o evento climático foi sem precedentes, caracterizado por rajadas de vento que alcançaram até 100 km/h por mais de 12 horas. Segundo a empresa, devido à severidade do fenômeno, o desempenho registrado deve ser considerado compatível com a magnitude do evento. A distribuidora também destacou que cerca de 80% dos clientes afetados tiveram o fornecimento restabelecido em até 24 horas, índice que superou os resultados de situações similares em anos anteriores.
Histórico do Conflito entre Enel e Aneel
O confronto atual entre a Enel e a Aneel remonta a um processo instaurado pela agência após uma série de interrupções no fornecimento de energia em São Paulo ao longo de 2024. Em outubro daquele ano, a Aneel emitiu um Termo de Intimação contra a distribuidora, um aviso formal que poderia culminar em ações mais severas, como a abertura de um processo de caducidade. Em resposta, a Enel apresentou um plano de recuperação que deveria ser implementado em um período de 90 dias, válido até janeiro de 2025.
Desdobramentos e Monitoramento
Em novembro de 2024, a diretora Agnes da Costa, responsável pela relatoria do caso, acolheu a sugestão da área técnica da Aneel e decidiu estender o monitoramento do desempenho da Enel até março de 2026. Essa medida foi uma resposta às preocupações acerca da repetição de falhas na prestação de serviços essenciais, colocando em foco a necessidade de uma avaliação contínua da empresa.
Conclusão
O embate entre a Enel e a Aneel destaca a pressão crescente sobre as distribuidoras de energia para manterem a qualidade do serviço em face de desafios climáticos cada vez mais intensos. Enquanto a Enel busca reverter a avaliação negativa e demonstrar que suas ações foram adequadas às circunstâncias, a Aneel continua a monitorar a situação, refletindo a importância de um sistema regulatório que garanta a confiabilidade no fornecimento de energia para a população.
Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br


