O assassinato da vereadora Marielle Franco e de seu motorista, Anderson Gomes, ocorrido em 14 de março de 2018, é um dos casos mais impactantes da história recente do Brasil. Oito anos após o crime, o Supremo Tribunal Federal (STF) inicia uma nova fase de julgamento, com a Primeira Turma da Corte analisando as acusações contra cinco indivíduos envolvidos na trama criminosa.
Os Acusados e Suas Atribuições
A Procuradoria-Geral da República (PGR) apresentou denúncias que resultaram em um processo criminal em que os réus são acusados de homicídio qualificado e tentativa de homicídio contra Fernanda Chaves, assessora de Marielle, que sobreviveu ao ataque. Além disso, três dos acusados enfrentam acusações relacionadas à formação de uma organização criminosa.
Quem são os Mandantes?
Entre os principais acusados estão Domingos Brazão e seu irmão, Francisco Brazão, conhecido como Chiquinho. Domingos, na época conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro, é acusado de ter orchestrado o assassinato com motivações ligadas a interesses econômicos na regularização fundiária. Já Chiquinho, que era vereador e posteriormente se tornou deputado federal, teria colaborado na decisão de eliminar Marielle, motivado por disputas políticas.
Outros Acusados
Rivaldo Barbosa, que era delegado da Polícia Civil e assumiu o comando da corporação pouco antes do crime, também é um dos acusados. A PGR alega que ele ofereceu garantias de impunidade aos mandantes e orientou sobre o planejamento do ataque. Outro nome importante é Ronald Paulo de Alves Pereira, conhecido como ‘Major Ronald’, que, sendo um policial militar reformado, teria monitorado os passos de Marielle, fornecendo informações cruciais aos executores.
O Papel de Robson ‘Peixe’
Robson Calixto Fonseca, conhecido como ‘Peixe’, ex-assessor de Domingos Brazão, é acusado de ser parte da organização criminosa. Embora não tenha sido diretamente implicado na execução do crime, sua ligação com atividades de exploração imobiliária irregular nas áreas dominadas por milícias o coloca em uma posição central na investigação.
O Julgamento no STF
O julgamento no STF está agendado para a próxima terça-feira, 24 de outubro, e começará com a apresentação do relatório do ministro Alexandre de Moraes. Em seguida, o procurador-geral da República irá apresentar os argumentos que sustentam as acusações. Os advogados dos réus também terão a oportunidade de defender seus clientes, e, após as manifestações, os ministros do Supremo iniciarão o processo de votação para decidir sobre a condenação ou absolvição dos réus.
Expectativas e Implicações
Com todos os acusados já em prisão preventiva e negando as acusações, o desfecho deste julgamento é aguardado com expectativa, não apenas pela gravidade do crime, mas também pelas implicações sociais e políticas que ele carrega. A decisão do STF poderá impactar a percepção pública sobre a justiça no Brasil e o combate à corrupção e ao crime organizado.
O caso Marielle Franco não é apenas um símbolo de uma luta por justiça, mas também representa a urgência de um debate mais amplo sobre a violência política e as milícias no Brasil. A continuidade do processo judicial pode, portanto, trazer à tona questões cruciais sobre impunidade e a necessidade de um sistema de justiça mais eficaz.
Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br


